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Silvio é Tradição! Carnaval 2001

O samba da Tradição estava na boca do público antes mesmo de a escola entrar na Sapucaí. Silvio Santos, o homenageado da noite, desfilou no alto do carro abre-alas e ensaiou passos tímidos. Silvio mostrou todo o seu carisma enquanto passava na avenida. Sorriu, cantou e fez a Sapucaí lembrar um programa de auditório.

O público viu um Silvio calouro na avenida e sem samba no pé, mas topando tudo com animação. Ele dançou e, com a letra do samba na ponta da língua, fez uma autobiografia em ritmo de carnaval. Na dispersão, o público prestou mais uma homenagem ao ídolo: improvisou aviõezinhos de papel e lançou-os na direção de Silvio.

"Estamos aqui usufruindo do sucesso do Silvio". A emocionada Hebe tinha razão. Se a estrela da noite era Silvio Santos, sempre aplaudido, seus amigos paulistas, aproveitaram para se divertir muito.

A apresentadora do Programa Livre, Babi, que era uma das cinco madrinhas da bateria, podia não esbanjar samba no pé, mas compensava na animação. Mesmo com medo do arranjo da sua cabeça cair pulou o desfile inteiro. Carla Perez, outra das madrinhas, chegou atrasada e teve correr para alcançar a bateria. O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, reconheceu que não sabia sambar. "Mas sei arrastar o pé, vou fazer uma mistura de forró e samba", disse. Agradou. Foi um dos mais aplaudidos na dispersão. Já Gugu Liberato, que dançou o desfile inteiro, nem conseguia falar. Apenas colocava a mão no sobre o coração e dizia que estava explodindo.

Textos extraídos de reportagens de Roberta Carvalho e Fernando Moreira.

O SAMBA-ENREDO

O Homem do Baú - Hoje é Domingo, é Alegria, Vamos Sorrir e Cantar!
Autores:
Lourenço, Adalto Magalha Intérprete: Celino Dias

Olha que glória, que beleza de destino
Pra esse menino Deus reservou, ô ô
Ele cresceu, ele venceu, vive sorrindo
Com muito orgulho, foi camelô
Nasceu na Lapa
No Rio de Janeiro
Esse artista é o enredo da Tradição
Foi do rádio, minha gente
Hoje na televisão, oi patrão!
Faz o dia mais contente, a alegria do povão
Qual é o prêmio Lombardi, diz aí
Qual é a música quem sabe, canta aí (bis)
Quem quer dinheiro?
O aviãozinho vai subir
Minhas colegas de trabalho
Que beleza de auditório
Abre a porta da esperança
É namoro na TV
Boa noite, Cinderela
Gosto de você
Em nome do amor
Eu quero morrer de prazer
Laiá, laiá, oi
Laiá, laiá, oi
É um baú de felicidade
Vamos cantar
Vamos brincar
Vamos sorrir (bis)
É domingo, é alegria
Sílvio Santos vem aí

ENTREVISTA COM ORLANDO JUNIOR, O CARNAVALESCO DA TRADIÇÃO

Fonte: O Dia na Folia
Reportagem: Leonardo Ferreira
Ano da Reportagem: 2001

De quem foi a idéia de homenagear Silvio Santos?
A escola já vinha com essa idéia há algum tempo, estava no nosso arquivo. E esse ano a diretoria resolveu fazer esse enredo, e tivemos a sorte de o Silvio ter aceitado a homenagem.

É uma praxe na escola a diretoria escolher os enredos?
Não, isso aconteceu só esse ano. Os enredos são todos escolhidos por mim.

E como se deu o contato com o Silvio Santos?
O primeiro contato quem fez foi o Vágner, diretor da escola, que teve acesso ao SBT e à família do Silvio, e foi ele quem coletou todos os dados. Depois, nós sentamos e preparamos a sinopse. E eu estou fazendo o desenvolvimento dos figurinos, carros, etc.

Como a escola foi recebida em São Paulo?
O contato maior foi com as filhas do Silvio e nós fomos muito bem recebidos. Eles estão bem otimistas e felizes com a homenagem. O Silvio está superalegre. Eu ainda não tive contato com ele, mas vou
encontrá-lo em breve.

Que tipo de apoio a escola espera do Silvio Santos?
A escola é quem está homenageando a Silvio Santos, e não Silvio Santos está patrocinando a escola. A única coisa que a Tradição espera é a presença dele, que ainda não está confirmada. Nós o deixamos bem à vontade: se ele quiser desfilar, se puder nos dar esse privilégio, será um grande prazer para a escola.

E você acha que ele vem?
Eu acho que a emoção vai falar um pouco mais forte, e na última hora ele vem.

Então já há um espaço reservado para ele no desfile?
É claro.

No último carro? Será um gran-finale?
Não, não será no último carro. Mas eu não posso adiantar onde será, vamos deixar essa surpresa.

Além do Silvio Santos vocês estão esperando outros artistas do SBT, como Gugu, Ratinho e Hebe Camargo? Há espaço reservado para eles?
Ainda não há uma definição quanto a isso. Para nós, vai ser um prazer recebê-los, mas a Tradição não se prende a isso. Nós preparamos nosso carnaval a partir da comunidade. A escola não se prende aos grandes nomes do mundo artístico, às personalidades. Artistas para a Tradição são os componentes, as pessoas que prestigiam a escola e vêm aos ensaios. A nossa escola tem uma coisa de bom: todas as pessoas que participam do desfile são da comunidade, e estão aqui na quarta, na sexta e no domingo. A maioria de nossos destaques são de Campinho, Jacarepaguá, Barra... E são destaques que estão aqui desde a nossa fundação. Nossa estrutura é de comunidade.

Como vai ser conduzida essa homenagem?
Nós começamos mostrando os antepassados do Silvio: a mãe, da Turquia, e o pai, da Grécia. Depois da Inquisição eles foram para a Grécia e, de lá, vieram para o Brasil. Então nossa abertura vai mostrar um grande império grego, o condor vem grego... Depois mostramos a trajetória de camelô do Silvio, passando pela barca, a Avenida Rio Branco, etc. O setor seguinte traz uma grande mudança na vida dele: a entrada no rádio, sem deixar a camelotagem. Nessa época, ele fazia apresentação de artistas no rádio e no circo. Então nós vamos trazer um carro que é meio rádio, meio circo, uma coisa louca... Aí nós trazemos a entrada dele na televisão, com suas frases e bordões. Em seguida, mostramos o grande marco do Silvio na TV, com os programas aos domingos: "Domingo é dia de alegria!".
Nesse setor, temos o carro Domingo no parque. Depois disso, temos a parte dos jogos, que foram um componente muito forte na vida dele. Por fim, fazemos uma grande homenagem a ele, dando o Troféu Imprensa a Silvio Santos, o maior apresentador de TV do País.

E o SBT, como será abordado no enredo?
Nós não entramos diretamente nessa área. Nós falamos dos programas dele, fazemos algumas passagens relacionadas aos programas, mas não falamos diretamente da emissora SBT. Nós não vemos necessidade de falar do SBT se já estamos falando do Silvio Santos.

Vocês tiveram algum contato com a Rede Globo em função da escolha do enredo?
Não que eu saiba. Nas nossas matérias que aparecem na Globo, nós não entramos nesses detalhes, e eles também não perguntam...

Como você acha que vai ser a cobertura da Globo em relação à Tradição?
Eu acho que vai ser normal. Nós falamos de uma personalidade brasileira, como se falássemos de qualquer outro artista que fez um marco no País. Não acredito que haja discriminação em relação à escola. Essa é a grande questão do carnaval, mas eu encaro como uma coisa normal.

Como é fazer um carnaval-homenagem?
Bem, eu gosto de fazer homenagens. Eu fiz um enredo sobre Linda e Dircinha Batista, no meu último ano na Ponte o enredo foi sobre Paulo Gracindo, homenageei também a Alcione... Aqui na Tradição é o primeiro ano. Para a escola está sendo diferente, porque a Tradição sempre foi muito histórica, folclórica, lendária... E estamos pulando para um estilo diferente, e isso está sendo uma novidade.

E como os componentes estão recebendo isso?
Muito bem. A escola sempre vem bem, animada, e não está sendo diferente esta ano. Nós já começamos os ensaios técnicos e estamos percebendo isso.

Como se dá essa transposição do papel para a Sapucaí, ou seja, como uma sinopse vira carnaval?
Isso é difícil de explicar, é algo que surge na hora... Carnaval é como se fosse fazer um filho, e esse filho só nasce na Avenida.

Qual foi o carnaval que você mais gostou de fazer?
Aqui na Tradição eu gostei muito de fazer Balangandãs, em 96, com o qual fomos campeões. No Grupo Especial, o meu preferido foi a homenagem a Jacarepaguá, em 99 (Nos braços da História, Jacarepaguá, quatro séculos de glórias).

O desfile de 2000 teve algumas falhas em setores importantes. Como vocês estão trabalhando com isso para 2001?
Desfile de escola de samba é assim: você trabalha o ano inteiro, imagina o melhor, mas às vezes na Avenida acontece tudo diferente. Foi o que aconteceu... Tivemos alguns probleminhas, mas conseguimos ficar no Grupo Especial, e esperamos continuar esse ano também.

Fotos: Reprodução TV.
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