"Vamos fazer unir as nossas forças, da
nossa cidade, é hora de pensar em crescer de novo..." Esta música era
tocada enquanto uma jovem, de nome MARISTELA dizia: "Gente, hoje eu estou
feliz, fiz meu título de eleitor, EU MARISTELA, 17 ANOS, vou votar para
presidente, do meu país, do meu Brasil." Ao final o locutor dizia:
"Voto
aos 16 anos, direito conquistado não pode ser desperdiçado".
Nada de surpreendente no comercial de
abril de 1989 se não fosse uma coisa: a música de fundo seria o tema
da campanha presidencial de Fernando Collor.
As eleições
em 1989 foram acirradas, a cédula eleitoral foi pequena demais para
absorver tantos nomes. A menos de 30 dias das eleições até mesmo o
empresário Silvio Santos entrou na briga eleitoral, mas teve que sair do
"páreo" porque a legenda pelo qual optara não obedecia a legislação
eleitoral.
Em um de
seus três únicos programas eleitorais Silvio Santos dizia: "Bem
minhas colegas de trabalho, vamos trabalhar juntos para governar
este
país.... você sabe o que é justiça social, você sabe o que é reforma
social? Eu também não sabia, mas reforma e justiça, social, é o que
pretendo fazer. Eu pretendo acabar com a inflação, diminuir a inflacão, e
aumentar o salário mínimo... ...é possível fazer, é, é possível realizar
tudo isso desde que o dirigente tenha sensatez, honestidade e faça
justiça, votem em CORREIA, 26, porque o meu nome não constará na cédula
(as cédulas já estavam impressas e o nome do empresário não mais
poderia ser adicionado, este candidato abriu mão de sua candidatura em
favor de Silvio Santos, o que arruinou a sua legenda) para você votar
em Silvio Santos marque CORREIA e, fiquem certos, não se
arrependerão".
Além das presenças de
Enéas Carneiro,
e outros tantos paraquedistas e oportunistas eleitorais, a eleição restou
entre dois candidatos, Luiz Inácio Lula da Silva pelo PT e Fernando Collor
de Melo pelo PRN, sendo vitorioso este último.
Se em 1989 o tema eram eleições
presidenciais, dois anos depois o sonho de cinderela de um pais
desabaria. Na verdade, o Brasil estava a recém aprendendo que democracia é
uma seqüencia de acertos e desacertos.
As denúncias contra o governo do então
presidente Fernando Collor de Melo foram deflagradas pelo seu irmão, Pedro
Collor, posteriormente veio uma seqüência de CPIs, com denúncias de
compras de bicicletas pelo Ministério da Saúde até outras compras
fraudulentas onde o protagonista era um NISSEI de nome Takeshi
Imai..
Incentivando a
deposição do presidente, coincidentemente àquela época foi lançada uma
minissérie pela rede Globo, ANOS REBELDES, que continha a história de
jovens que lutavam pela democracia no Brasil da ditadura
militar.
O governo contra-atacou com
pronunciamentos quase que diários, e uma propaganda comercial que invadiu
o horário nobre denunciando a orquestra de derrubada de mais um presidente
brasileiro, seu título era ACORDA BRASIL!
O presidente Collor renunciou e ainda teve seus
direitos políticos cassados até o fim do ano 2000. Em 1995 deu uma
entrevista ao SBT para a jornalista Marília Gabriela defendendo-se
de grande parte das imputações que a si foram atribuídas.